quarta-feira, 14 de julho de 2010

Karl Marx – indivíduo x sociedade

Cartoon: Karl Marx (medium) by Xavier Salvador tagged marx,karl,comunism,philosophy

Antes de vermos qual a visão que Karl Marx oferece sobre a relação entre indivíduo e sociedade devemos fazer algumas considerações biográficas sobre este autor.

Marx viveu no século XIX. Nasceu em 1818 e faleceu entre 1883. Sua juventude, portanto, teve como ambiente a Europa agitada pelas idéias da revolução francesa e sufocada pelo exército de Napoleão.

A obra que escreveu reflete de maneira muito estreita a sua participação nos eventos mais marcantes de sua época.

Durante as agitações políticas de 1848 já era um lider político movimento operário europeu. Neste período ele vivia num ambiente hostil as suas idéias e por conta delas constantemente ele fugia ou era expulso dos países onde era levado pela tarefa da propaganda política.

Esta opção política impactou sobremaneira sua obra, que consiste basicamente numa interpretação do novo mundo que estava nascendo na Europa e que agora chamamos de mundo moderno.

Sua obra então é basicamente uma interpretação deste movimento da história em direção ao nosso mundo marcado por uma violenta transformação social.

Viveu num período em que os países europeus estavam conhecendo novos problemas sociais. A natureza original destes problemas sociais repousavam sobre a nova forma de organização da sociedade que tinham a curiosa característica de ao mesmo tempo permitir uma imensa acumulação de riqueza e ainda assim multiplicar enormemente o número das pessoas sem as mínimas condições de sobrevivência economica.Cartoon: Karl Marx (medium) by Nayer tagged germany,marxism,marxist,revolutionar,communism,marx,karl

Era este o mundo que estava diantede Karl Marx e sua opções políticas refletiam uma escolha de alternativas para a superação não apenas destes problemas, mas da própria sociedade que os gerava.

Na verdade é sobre a possibilidade de transformação da sociedade ao longo da história que está assentada a forma como Karl Marx entende a relação entre indivíduo e sociedade.

Antes porém de avançar na sua teoria da história, vamos ainda indicar alguns elementos importantes para ter em conta quando se estuda de maneira tão preliminar, como é o nosso caso, a obra deste pensador.

Começemos por registrar um evento essencial para que a obra de Karl Marx se tornasse o que se tornou. É que quando era perseguido ou expulso de vários países na Europa chegou o momento em que Londres se revelou um valiosos refúgio. Esta cidade oferecia a ele o amparao de um forte movimento operário e também um valioso registro da história economia da Europa e particularmente da Inglaterra, o mais rico país daquele período, onde as transformações características daquela época eram mais sensíveis e visíveis. Sua ida para Londres, foi então fundamental para sua obra.

A partir de Londres sua obra também ganhou as condições para se consolidar. Ali ele produziu uma obra monumental. É por conta da magnitude do conteúdo e do uso da obra de Marx que o que texto que segue deve ser lido com duas recomendações especiais.

Em primeiro lugar a obra de Marx é uma referência científica obrigatória ainda hoje. Quem tem a oportunidade de avançar nos estudos vai ter que se deparar com mais Karl Marx pela frente. E se for estudar algum curso das área humanas vai ter uma longa caminhada ao lado de Marx ou de algum outro marxista (adepto das idéias de Karl Marx).

Outra questão é consequência das demais, Marx era uma homem de ação, participava como um dos líderes do movimento operário; e produziu uma grande obra científica. O resultado disto é que boa parte da história política do século XX foi conduzida tendo como referência a interpreação de Karl Marx sobre a história e o papel do capitalismo na história.

Finalmente, por conta de tudo ele produziu uma tradição intelectual, o marxismo, que gira em torno de interpretação de sua obra. Existem muitas interpretações do que Marx efetivamente disse. Portanto, o que veremos é uma interpretação entre outras e principalmente, trata-se de uma interpretação ortodoxa que nem todos os marxistas aceitariam.

 

Indivíduo e sociedade em Karl Marx - O indivíduo na história

Como dissemos a obra de Karl Marx é na verdade um interpretação da história da Europa, uma teoria da história, de como os homens fazem a sua história. A teoria de Marx ficou conhecida como Materialismo Histórico, pois sua interpretação, diferente de outras teorias, identifica o motor da história com fatores materiais, ou seja, com os  fatores econômicos.

Para a compreenssão do argumento de Marx devemos reter alguns conceitos.

Forças Produtivas (FP), são os instrumentos produtivos disponíveis em dado momento da história. Cada sociedade produz seu arsenal produtivo. As forças produtivas são importantes no esquema de Marx porque elas é que vão criar as condições para que as diversas sociedades gerarem riqueza e em consequência, permitir aos homens maior possibilidade de alcançar uma vida mais compensatória.

Relações de Produção (RP), são a forma como os homens se organizam para produzir a riqueza. Olhando o nosso mundo, por exemplo, nós vemos que a maioria das pessoas não tem lojas, nem bancos, nem qualquer tipo de empresa. Essas pessoas para participar da geração da riqueza roduzida na nossa sociedade tem que procurar um emprego, ou seja, elas procuram alguem que queria contratar o trabalho dela e que em troca ofereça um salário. De modo que o assalariamento é a relação de produção típica da nossa sociedade. As relações de produção são também chamadas de Estrutura Econômica, pois toda a economia de um sociedade, em dado momento da história vai ser caracterizada pelas relações de produçã que forem hegemônicas

Superestrutura, é o conjuto de instituições que caracterizam determinada sociedade em determinado instante da história. As instituições também incluem os valores, as normas e as idéias que caracterizam aquela sociedade naquele instante da história.

Modo de Produção, é a forma assumida por determinada sociedade em determinado instante da história a partir da combinação das forças produtivas, das relações de produção e também da superestrutura. O feudalismo e o capitalismo, por exemplo, são exemplos de modos de produção que a Europa conheceu de modo sucessivo, ou seja, primeiro havia um e depois o outro surgiu.

Classes e Luta de classes. A forma como Marx compreende a história confere um papel central para as relações de produção. Em consequência, no seu esquema conceitual as classes são um elemento fundamental pois as classes sociais são coletividades que se definem pelas diferentes formas como os indivíduos participam das relações de produção.

Para retomar o que dissemos sobre as relações de produção logo acima, há uma classe social formada pelos trabalhadores assalariados e há outra formada pelos patrões, ou seja, uma classe social formada pelos empresários.

Para Marx entretanto a função das classes é importante porque, como sugere nosso exemplo, as classes sociais tem interesses diferentes e opostos, ou seja, os empresários, entre outras coisas, querem vender seus produtos pelo maior preço possível e em relação aos seus empregados, eles querem manter ou diminuir o valor salário; já os trabalhadores assalariados eles quando vão comprar querem comprar pelo menor preço possível e,  em relação aos patrões eles querem ganhar o maior salário possível.

Estes interesses as vezes são expressos coletivamente e esta expressão coletiva, que é política, dos interesses opostos das classes sociais é o que caracteriza as lutas de classes.

Marx mostra que as classe não são todas iguais. Algumas aparecem claramente como dominantes e outras como dominadas. E a História seria então uma interminável sequência de diferentes lutas de classes onde uma classe dominada se torna a dominante e depois será substituída por outra.

*

O materialismo histórico consiste numa proposta de explicação do funcionamento da história humana. Ele propõe que observemos alguns elementos específicos para que possamos compreender porque os homens viveram como nômades e hoje vivem em cidade, porque que em dado momento estes homens criaram regimes de escravidão e em certo momento foi possível conferir dignidade ao individuo e criar um sistema em que todos são formalmente livres e iguais.

O modelo se apóia em duas proposições fundamentais (para entendê-las guarde os conceitos que vimos acima).

A primeira diz que o desenvolvimento das forças produtivas explica o funcionamento das relações de produção

A segunda diz que a estrutura econômica (ou seja, as relações de produção) explica a superestrutura.

 

A dinâmica do materialismo histórico  

A chave do materialismo histórico está na relação entre as forças produtivas e as relações de produção. Na medida em que aquelas determinam estas últimas, uma sociedade que apresenta determinado nível de desenvolvimento das forças produtivas só vai poder apresentar certos tipos de relações de produção, aqueles compatíveis com o estágio das forças produtivas.

O exemplo que Marx descreve com maestria (reveja os aspectos da sua biografia acima) é o das transformações que a industrialização (forças produtivas) provocou nas relações de servidão que caracterizam o feudalismo (relações de produção) e que resultaram no capitalismo.

O fundamental aqui é que a história da humanidade tem um certo sentido, qe é o do aumento das forças produtivas. Por motivos que não vamos expor aqui, a humanidade procura sempre dominar a natureza e gerar mais riqueza e este movimento em direção ao desenvolvimento das forçar produtivas torna obsoletas as relações de produção vigentes.

Dado que há um movimento, um sentido da história, na direção do aumento das forças de produção e dado que que este movimento torna as relações de produção obsoletas, a história é vivida como uma incessante sucessão de crises que refletem uma necessidade de novas relações de produção que possibilitem que as forças de produção continuem a se desenvolver.

Aqui é proveitoso retomar o exemplo mais feliz de Karl Marx, o da passagem do feudalismo (sua crise) para o capitalismo.

Muito grosseiramente podemos dizer que o feudalismo surge da destruição do mundo romano. Para criar uma oposição útil, vamos lembrar que o Império Romano construiu uma civilização urbana com certa complexidade de trocas e de produção. A destruição de Roma foi a destruição desta civilização urbana e a ruralização da Europa. Em linhas gerais o feudalismo era a expressão de um mundo inteiramente ruralizado cuja vida gira em torno dos feudos e se organiza sobre o trabalho servil.

Posto desta maneira o feudalismo tem uma história  de alguns séculos. O importante para nós é guardar que esta história se desenvolve como uma linha que produz um curva descendente e lentamente retoma o mesmo nível da linha inicial.

Típicamente o mundo feudal é rural, gira em torno do feudo e se apóia no trabalho servil. Entretanto, o feudalismo compreende um período em que a Europa conhece um lento mais continuado processo de aumento das forças produtivas, quando o mundo urbano vai sendo reorganizado em torno de uma produção artesanal, que depois cria as condições para o surgimento de uma camada social que sobrevive através da manufatura que enfim vai se transformar na industrialização.

A retomada da urbanização da Europa, ainda sob o feudalismo, é o reflexo do desenvolvimento das forças produtivas (artesanato, manufatura, indústria) que criam condições em que as relações de produção típicas do feudalismo se tornem um embaraço para que as forças produtivas sigam se desenvolvendo.

De que maneira isto acontece? Antes de mais nada isto significa, do ponto de vista dos indivíduos uma experiência de crise social. Mas, como nosso resumo do feudalismo já deixa ver, em todos os momentos as sociedades apresentam algum grau de complexidade. Ou seja, mesmo no feudalismo havia algo mais que servos e senhores feudais.

O feudalismo é o instante em que as relações de produção são tipicamente servis, refletindo o predomínio de uma produção basicamente agrária. Esta é a primeira proposição do materialismo histórico. Por conta disto, houve no feudalismo uma série e instituições que reforçavam este sistema (hoje diríamos que são as instituições feudais). É a segunda proposição do materialismo histórico.

A manufatura e principalmente a industrialização geram novas camadas sociais (na verdade, novas classes sociais) que não participam do universo ruralizado e não se encaixam muito bem no mundo feudal. Estas novas classes sociais vão participar do feudalismo como motores de uma crise que é social e política, crise que anuncia um novo mundo.

Este é o aspecto fundamental pois as novas forças produtivas necessitam se desfazer do feudalismo, mas é necessário que os indivíduos se engajem no processo de construir um novo tipo de sociedade.

Aqui nos encontramos diante do aspecto definidor de como aparece a relação entre indivíduo e sociedade dentro do pensamento de Karl Marx.

É que, da mesma forma como estamos ilustrando o caso particular do feudalismo, aquelas duas proposições fundamentais do materialismo histórico vão sempre resultar em crises sociais que são sempre lutas políticas entre classes sociais, ou seja, segundo o materialismo histórico a história resulta das lutas de classes.

Nesta forma de ver a história os indivíduos são antes de tudo membros das classes sociais com um sentimento mais ou menos lúcido acerca do conteúdo das lutas sociais e políticas do seu tempo.

Deste ponto de vista é que Marx esclarece a transição do feudalismo para o capitalismo, de um lado, no plano da determinação macrosociológica do materialismo histórico, como o reflexo da defasagem da servidão (relações de produção) frente a industrialização (forças de produção) e, de outro lado, como o projeto de indivíduos que participavam da classe social que reunia as condições de se tornar dominante na sociedade que se anunciava, ou seja, a burguesia.

Este em linhas gerais é o conteúdo das proposições de Karl Marx. Ocorre, entretanto, que ele propôs que o capitalismo não significa o ponto final do desenvolvimento das forças de produção. E é por isto que sua obra tem uma importância política espetacular.

É que segundo ele o capitalismo iria desenvolver as forças de produção até chegar o momento em que as relações de produção que lhes são típicas (o trabalho assalariado) iriam se tornar obsoletas. Ou seja, o capitalismo também conheceria uma crise social de caráter político que poria frente a frente a classe social dominante na sociedade em crise (a burguesia) e a classe que reunia as condições de realizar a nova sociedade, que seria socialista/comunista (esta classe seria o operariado, os trabalhadores).

Todo o século XX, e o nosso nascente século XXI, vive em torno destas assertivas que são consequência lógica do materialismo histórico.

Mas afinal, o que você acha disso?

 

32 comentários:

  1. oi naum entendi nada cara num flo nada sobre o que ele pensava sobre o individuo

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  2. Obrigadinha!
    Vou tirar nota máxima na prova!

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  3. Eu entendi tuo o q esse cara pensava

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  4. gostaria de saber porque na análise de Karl Marx a relação entre individuo e sociedade não é tão nítida quanto parece

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    1. Olá ... (qual seu nome?)

      É que a análise de Marx parte de um princípio central (de ordem metodológica): a nossa existência ganha sentido a partir das condições de nossa existência material, que incluem as relações que temos com os demais individuos.
      Assim, parte-se para uma análise das características que ordenam nossa experiência que, para esta teroria, está diretamente relacionada com a nossa classe. Nossa experiência individual, nossa vida, seria largamente determinada pela nossa classe.
      Do ponto de vista do marxismo a classe é o mecanismo que explica as nossas relações sociais.

      Ajudei?

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    2. qual a visão de Marx sobre a sociedade???

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  5. Ameeei . Vou tirar um belo 10 na facul :D Obriigada

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  6. e cadê o individuo e sociedade?
    refornula o texto ai, e coloca.
    como é que você esquece de botar o conteúdo que é o tititulo do texto?

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    1. JOhnny, releia os últimos parágrafos do texto começando deste:

      "Nesta forma de ver a história os indivíduos são antes de tudo membros das classes sociais com um sentimento mais ou menos lúcido acerca do conteúdo das lutas sociais e políticas do seu tempo."

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  7. texto excelente! apresenta de forma simples e exemplificada um assunto bem complexo...adorei!

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  8. Faça uma correção na sua digitação e reescreva-o, a ideia é boa, mas falta mais conteúdo sobre o título do texto.

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  9. qual a relação que Marx estabele entre individuo, sociedade, isonomia e meios de produção??

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  10. Oi Gostaria de Saber..
    Por Que na analise de Karl Marx a relação entre individuo e sociedade não é tão nitida quanto parece ?!

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    1. Olá Anônimo,

      é que em Karl Marx as classes sociais é que são os agentes relevantes.
      assim o indivíduo aparece na história a partir da classe social a que pertence.

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  11. muito obrigado,estava realmente presisando entender mais oque pensava Karl Marx.

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  12. Olá Meu nome é Dayane
    Você poderia me responder uma pergunta é o seguinte:

    Qual é a relação entre o desenvolvimento da sociedade capitalista e o surgimento da ideia do individuo?

    é uma pergunta de um trabalho p/ eu entregar Segunda feira agora preciso desta resposta o mais rpido possível pois é muito importante

    Desde já lhe agradeço!!!

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  13. nao entendiii mi ajuda por favor ? quero saber como o kal marx entendii sobre a sociedade dos indivíduos

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  14. Me ajuda respondendo esta pergunta ?

    como marx entende a transformação da sociedade e dos modos de produção ?

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  15. Ola,
    como Marx , Weber e Durkheim contribuíram para o turismo

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