sábado, 7 de agosto de 2010

Max Weber – indivíduo e sociedade

Dos grandes sociólogos clássicos que estudamos Max Weber (seus estudos) apresenta uma característica que o opõe aos demais.Max Weber

É que a maneira como este sociólogo pensa o funcionamento da sociedade e, de modo consequente, os métodos que ele propõe para que se observe este funcionamento, implicam em definir a relação entre indivíduo e sociedade de um modo em que a existência do indivíduo antecede a exitência da sociedade.

Só para lembrar, em Durkheim a sociedade é pensada fundamentalmente a partir do conceito de fato social (que, aqui, gosseiramente, diremos que representa a pressão das instituições sociais no sentido de controlar o indivíduo) e Karl Marx compreende a participação dos homens na história a partir das lutas de classes.

Para entender como Max Weber cria uma teoria social na qual o indivíduo é anterior à sociedade (mas é importante lembrar que trata-se de uma proposiçõ de caráter lógico) é necesário compreender o conceito mais importante do seu pensamento. Trata-se do conceito de ação social.

O conceito de ação social se refere ao comportamento que é dotado de sentido. Isto quer dizer que a ação social é o tipo de comportamento motivado por um conteúdo subjetivo.

Fique atento a esta palavra, subjetivo.

Um modo razoável de sondar o sentido de uma palavra (qualquer palara) é definir qual o conteúdo que é seu inverso, ou seja qual a palavra a qual ela se opõe, seu antônimo.

O antônimo de subjetivo é objetivo palavra que remete a existência concreta, imediatamente sensível, perceptível.

Isto nos encaminha para o significado daquilo que é subjetivo, ou seja, trata-se de uma parte da existência que não tem um conteúdo concreto, mas participa do interior dos homens e compreende um elemento fundamental da relação do indivíduo com o mundo externo ao indivíduo, o mundo objetivo (incluindo os demais indivíduos). Em síntese, definindo muito grosseiramente, o subjetivo (a subjetividade) compreende a existência que não está fora do corpo e envolve a percepção que o indivíduo tem de si, dos demais e do mundo.

Voltando à Weber e ao conceito de ação social podemos agora distingi-lo do que seria uma ação que não é social.

O ponto fundamental da ação social é que trata-se de um comportamente que tem uma motivação que nasce de um sentido que o indivíduo reconhece e que guia sua ação.

Para compreendermos o que se enquadra e o que não se enquadra nesta definição pense, por exemplo, uma cena como a seguinte: eu e você estamos todos na rua grande, estamos na frente de uma loja que vende televisão e estamos assistindo ao jogo do corinthians que está passando (aliás, o corinthians está ganhando o jogo). Mas estamos em maio e começa a chover e, quase ao mesmo tempo, como se fosse uma coreografia, todos que estamos na rua grande abrimos sombrinhas e guarda chuvas para nos proteger. A chuva nos aborrece. Mas saiu outro gol do corinthians e todos nos alegramos.

Pois bem, nesta cena temos alguns comportamentos e nem todos são exemplos de ação social . Vejamos primeiro estes.

Quando abrimos o guarda chuvas fizemos de uma maneira que foi “coletiva”, no sentido que todos os que podiam (que tinham sombrinas/guarda chuva) responderam imediatamente à chuva. Se fosse possível olhar a cena como se estivéssemos olhando de cima isto ficaria mais claro.

Ocorre, entretanto, que quando abrimos as sombrinhas não há uma ação social pois nosso movimento responde na verdade a um reflexo que visa apenas a nossa proteção contra a água. Este comportamento não é dotado de sentido para nós.

Curiosamente, quando estávamos parados, cantando : aqui tem um bando de loco! loco por ti corinthians!, tínhamos um exemplo de ação social, pois nosso comportamento tinha uma motivação subjetiva que dava sentido ao nosso comportamento (mesmo que nosso comportamento fosse ali apenas o de ficar parado na frente da tv).

Aqui nós já podemos inclui outro elemento do conceito de ação social, com o qual nós encerramos as características do conceito, fique atento portanto!

A ação social é dotada de sentido, é este sentido que move o indivíduo numa ação social. Este sentido para o individuo é subjetivo, mais ele é mais que subjetivo, ele é intersubjetivo, ou seja este sentido é comportilhado por dois ou mais individuos que o reconhecem e quando interagem o fazem se orientando por este sentido que é intersubjetivamente compreendido.

Este componente intersubjetivo da ação social significa que este conceito descreve um comportamento que sempre visa um “outro”, ou seja numa ação social o indivíduo nunca visa a si próprio.

Pode ocorrer, como geralmente ocorre, que o “outro” com que nos relacionamos seja um (ou mais) indivíduo(s) concreto(s). Entretanto, não raramente este “outro” ao qual nos remetemos durante uma ação social não é um indivíduo concreto mais um ser abstrato. É o nosso caso ali, na Rua Grande. Nosso comportamento ali não visava exatamente eu e você mas essa coisa que não tem existência material e que em grande medida corresponde a uma idéia, ou a um sentimento, que é o nosso poderoso Timão.

 

O indivíduo como entidade que existe antes da sociedade e que a explica.

A diferença, já citada, da Teoria de Max Weber em relação aos outros autores se torna visível quando entra em cena o último elemento do conceito de ação social, o seu caráter probabilístico.

Todos se lembram de nossos experimentos e exemplos na sala de aula.

Em especial o fenômeno do valor do dinheiro é didático para fixar o que significa este aspecto do conceito de ação social.

A moeda (no sentido de pedaço de metal) ou a cédula são instrumento criados para fazer funcionar uma instituição social chamada moeda, que é o instrumento que funciona como a mercadoria mais importante no sistema de trocas de mercadorias criado pela sociedade capitalista.

A moeda dá uma dimensão material e ajuda a quantificar o valor da riqueza produzida e facilita a circulação das demais mercadorias.

A moeda enquanto instituição, portanto, é a sociedade funcionando.

Da forma como Max Weber define a ação social o valor da moeda é produto da aceitação e do reconhecmento por parte dos indivíduos. Por outro lado, para os indivíduos este valor é o motivo para trazer consigo a moeda (no sentido de pedaço de metal ou de papel).

Deste modo pode-se definir que o sentido atribuído a moeda no sentido de pedaço de papel é fruto da confiança que cada um tem de que os demais reconhece o mesmo valor e importância a mesma moeda-papel/metal.

Ocorre que existe um fenômeno econômico chamado inflação. A inflação é a perda do  valor (sentido) da moeda (instituição) que se revela na subida dos preços que, por seu turno, é a tradução matemática da perda de importância da moeda-papel/metal (que é uma mercadoria) frente às demais mercadorias.

É como se em vez de trocar moeda-papel/metal nós trocássemos telefones fixos pelas demais mercadorias, por exemplo. Se fosse assim, considerando os precços atuais dos telefones, teríamos um moeda relativamente valorizada.

Mas se nosso exemplo for sustentado para simularos outras coisas, teríamos que considerar que a nossa moeda teria hoje um valor bem abaixo daquele que a moeda-telefone fixo já teve. É que ouve um tempo em que as pessoas trocavam telefones por carros ou até por casas. Mas com o passar do tempo, e por alguns motivos, a situação era diferente; e então já era melhor ficar com o carro, o telefone (como moeda) não valia mais a pena.

O fenômeno da inflação trás para os individuos uma alteração nos valores da moeda-papel/metal (que é uma mercadoria). Chega um momento em que, para os indivíduos já não vale mais a pena receber determinadas unidades de moeda-papel/metal. Foi o que aconteceu com a nossa moeda (metal) de 1 centavo. Ela perdeu tanto valor que hoje em dia já não vale mais a pena juntá-la no chão.

Se você quiser mais exemplos do que a inflação faz, leia aqui.

Os exemplos acima, da inflação, dizem para nós que o sentido que o indivíduo atribui a determinada unidade (cédula) de moeda-papel/metal pode não ser forte o suficiente para que esta cédula seja desejada, buscada pelo indivíduo. Quando um indivíduo entende que não vale mais a pena juntar uma cédula chega-se ao ponto em que o valor da moeda já não tem força (no sentido de probabilidade) para mover o indivíduo.

Este entendimento pode ser generalizado, e durante a inflação é isso que acontece, de modo que o valor da moeda (e a probabilidade de os indivíduos se interessarem por elas) não tem mais força para mover o indivíduo. Então, o desprezo para com esta moeda-papel/metal é exlicado pela baixa probalidade que cada um atribui ao interesse dos demais se interessar por ela.

Este processo de interação de indivíduos produz consensos coletivos em torno do sentido que deve ser conferido a moeda, e em grande medida é este consenso contruído por indivíduo que cria o valor da moeda.

De certa forma é mais ou menos isso que acontece numa eleição. Você saberia explicar como isso acontece? Escreva lá nos comentários.

 

Os tipos de ação social

Depois de caracterizar o conceito de ação social, Max Weber também propôs uma classificação de tipos de ação social. Basicamente são quatro os tipos.

 Ação Social Tradicional – Este é o tipo de ação social em que o comportamento do individuo responde a algum motivo que se justifica pela tradição. São coisas que se faz por que “sempre fazemos assim”, ou “minha família sempre fez isso”, etc.

Ação Social Afetiva – É a ação social que responde a algum impulso de caráter emocional. É o caso do comportamento dos jovens numa festa quando estão paquerando. Neste caso a paquera corresponde a um resposta a situação em que “pinta um clima” e os aspectos motivacionai do seu comportamento provavelmente não irão se repetir, ao mesmo com a mesma pessoa.

 Ação Social Racional com Relação a Valores –A ação racional é o tipo de comportamento guiado por um calculo. Entretanto, alguns calculos que fazemos vizam a alcançar um objetivo moral. Neste tipo de situação temos o que Weber chamou e Ação racional com relação a valores. É aquilo que um candidato conservador faz numa campanha eleitoral não para barrar a ascenção de um candidato comunista, por exemplo. Atacar o socialista pode não dar votos ao candidato conservador, mas impedir que o comunista cresça entre o eleitorado conservador.

Também o caso do cristão que entrega o dízimo na igreja. O dízimo é produto de um calculo. Mas o crente pode também calcular qual o momento do mês mais apropriado para entregar o dízimo sem expor sua família a incerteza de um mês eventulmente ruim.

Ação Social com Relação a Fins – Este é o tipo de ação social em que o indivíduo calcula o seu comportamento tem em vista alcançar o máximo resultado com o mínimo custo ou esforço. O comportamento econômico é o exemplo e modelo mais cristalino deste tipo de ação social.

18 comentários:

  1. aqui tem louco,mas é pelo Flamengo!!kkk'

    ResponderExcluir
  2. vc está falando do tabajara?
    aquele time que ganhamos outro dia?

    ResponderExcluir
  3. oi professor, hoje, hoje gostei muito de sua aula espero que amanhã seja bem melhor... e continue...
    bjimmmmm
    rozania
    Antes crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a Ele seja toda honra glória e louvor nao só hoje mas também no dia eterno.
    II PEDRO 3:18

    ResponderExcluir
  4. Ola ?
    Gostaria que sua "explicaçao" fosse mais espessifica...
    Mas lembrando que e muito boa sua aula ,
    Abracos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Gisele,
      você gostaria que fosse mais específico em relação a qual aspecto?

      Excluir
    2. ola tudo bem
      também concorco con você

      Excluir
    3. concordo plenamente com essa questão.

      Excluir
  5. Está suficientemente específica pra mim. Me ajudou muito.
    Como disse Einstein, se você não consegue explicar simplesmente é porque você não entendeu.
    Gostei da forma como incorporou os exemplos.

    ResponderExcluir
  6. Cara adorei seu blog! Todas as duvias que tenho sobre sociologia eu tiro aqui! muito bom mesmo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Criei o blog para meus alunos do ensino médio (no Maranhão), a idéia é que fosse acessível.

      Há outras páginas iguais (e melhores) na seção de "dicas"

      Sucesso para você!

      Excluir
  7. BOM!Eu,ãno entendo patavinhas disso ai de filosofar sociologar e outras coisas deste tipo mas acho um barato,pretendo sair da burrise.....rsrsrsrsrs

    ResponderExcluir
  8. Fiquei impressionada de como numa linguagem simples e objetiva você conseguiu explicar uma teoria que eu julgava tão complexa, como a de Weber. Com certeza, vai ser de grande ajuda na hora de escrever meu Ensaio. Muito Obrigada!

    PS.: Não pare de publicar, rs.

    Sds,
    Karen Sato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. obrigado Karen.

      a página foi criada para meus alunos do ensino médio.
      os livros didáticos que temos não me agradam.
      e como o meu público é iniciante, preciso oferecer uma linguagem acessível.

      obrigado pela visita, um abraço.

      Excluir
  9. excelente!! explicações muito fáceis! parece que estamos em uma sala de aula vendo o professor falar....

    ResponderExcluir
  10. Oi, eu queria saber, de uma forma mais direta, a relação individuo-sociedade e o que era mais importante pra ele, o individuo ou a sociedade. Obrigado, Pedro.

    ResponderExcluir
  11. Muito importante ao ler, viajamos no mundo, através da leitura explicativa, e de excelente entendimento e aprendizado.Parabéns continue assim!

    ResponderExcluir
  12. Olá, tenho uma duvida quanto há Ação social racional com relação a valores.

    Por exemplo, se imaginarmos que estamos numa praia e nesta praia pessoas estão praticando esportes como corrida, isto é uma Ação social racional com relação a valores?.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Um jogo envolve regras e estabelece metas: fazer gols, pontos, cestas, etc, para os quais necessitamos de estratégias, táticas, etc, de modo que um jogo, tomado em si, deve ser considerado como uma ação racional com relação a fins.

      Excluir

Olá,
Fique a vontade para usar este espaço, ele é seu.
Peço apenas que evite o plágio.
Este espaço só terá sentido se o seu texto expimir o seu pensamento.
No mais: Desus é bom, e isto basta!

Pesquise aqui

Carregando...

Arquivo do blog