segunda-feira, 23 de setembro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano Letivo

A vida vem como uma tempestade. Esteja  pronto, Leia!!!












2009

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vídeos sobre Trabalho precarizado

Programa "Profissão Reporter" sobre a participação de trabalhadores bolivianos na produção de roubas baratas.
Assista aqui


Vídeo sobre origens do Toyotismo.
Assista aqui

Sociólogo Ricardo Antunes em entrevista sobre o mundo do trabalho
Assista aqui

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Castas

O mais famoso sistema de organização social que distribui as pessoas em grupos de castas é o indiano.

Este tipo de organização social tem como característica o rígido controle coletivo visando a manutenção das divisões entre os grupos. Para tanto alguns mecanismos são mobilizados. São eles a hereditariedade, ou seja o pertencimento ao grupo é transmitido dos pais aos filhos por herança, e a endogamia - regra de organização de casais que limita as escolhas do parceiro aos membros do mesmo grupo (a regra  de  exogamia faz com que procuremos nossos parceiros fora do grupo ao qual pertencemos).

A efeito combinado a hereditariedade e da endogamia faz com que as castas sejam fechadas, ou seja que cada casta esteja impedida de se misturar com as demais castas. Isso resulta ao final que a estratificação por castas seja a mais rígida de todas, SEM mobilidade social, ou seja os indivíduos das castas superiores não podem cair para as castas inferiores, tampouco existe a possibilidade do movimento inverso.

A poucos anos a rede globo de televisão levou ao ar a novela "caminho das índias" que tematizava, entre outros aspectos, o sistema de castas da Índia. Na cena abaixo vemos a cena em que a dramaticidade da separação entre as castas é explorada quando o casal de protagonistas descobre que pertencem a extremidades do sistema de castas, brâmanes e dalits. 




A intensidade dramática da revelação a natureza da sustentação das castas. Sua origem está na complexa religião Hindu. Todas as religiões comportam explicações sobre as origens remotas da humanidade. Para a humanidade é organizada em castas e a origem de uma coisa e outra é a mesma.

O mito de origem hindu diz que o deus brama (mesmo nome da cerveja) caminhava sobre a terra e enquanto caminhava de sua corpo ia se desprendendo a humanidade, em grupos específicos que deram origens as diferentes castas, estando cada uma associada a uma parte do corpo daquele deus. O vínculo entre partes do corpo de brahma e as castas determina o sentido da hierarquia entre as castas, conforme imagem abaixo


                                   Fonte: Verbete da Wikipedia


Uma observação de passagem: as palavras hindus possuem origens muito distantes das palavras de nosso idioma, indicar um nome para as castas indianas como está acima só é possível após uma tradução. Em função disso você pode encontrar, em diferentes livros e em diferentes sites, outras palavras em português para indicar as mesmas castas que estão descritas na imagem (Por exemplo, é muito comum encontrar a palavra "Brâmane" no lugar de" Bramas", ou "Vaisias" no lugar de "Vaicias")

Podemos assumir a figura acima como o modelo da pirâmide social do sistema de castas da Índia.
Sobre esta pirâmide cabe destacar que ela não é meramente uma hierarquia de poderes (econômicos, políticos, etc) mas principalmente uma escala de pureza espiritual. Isto é fácil de perceber se compreendermos determinadas características da religião que dá origem ao sistema.

A religião hindú é muito sofisticada. Está alicerçada em um conjunto de livros sagrados que registram o aprendizado espiritual dos povos do subcontinente indiano. A história destes povos apresenta uma concepção de que as criaturas vivas apresentam uma alma imortal e que a nossa vida é uma pequena parte do trajeto desta alma imortal em direção a sua integração definitiva na alma universal.

As castas significam, no contexto religioso, estágios da alma imortal em sua caminhada. Por isso as castas representam diferentes graus de pureza/impureza espiritual na mesma disposição apresentada na imagem acima.

É porque os dalits são espiritualmente impuros que o romance de Maya e Bahuan se desfaz tragicamente, como no trecho da novela acima. O mero contato ou proximidade física entre puros e impuros é suficiente para "poluir" espiritualmente os que estão em estágio avançado da escala de pureza espiritual.

A natureza religiosa das castas dota o sistema da rigidez já indicada. A hierarquia espiritual envolvida empurra os dalits (que aparecem na imagem acima como "párias") para uma existência extremamente difícil na Índia, onde são sistematicamente estigmatizados e excluídos de muitas oportunidades. A notícia abaixo (de 2009) é um exemplo:


Jovem dalit morre na Índia após ser rejeitado em hospital

O indiano Anil Kumar, 18, morreu nesta segunda-feira depois de ser recusado em um hospital público por pertencer à casta dalit, ou "intocável", excluída do sistema social hindu, informou a polícia.
De acordo com a agência indiana de notícias Ians, o jovem foi transportado para um hospital do distrito de Hamirpur, na região de Uttar, no norte do país, depois de levar um forte choque e sofrer queimaduras. No hospital, os médicos obrigaram a família a retirar o jovem, alegando que o centro hospitalar não "tratava pacientes de castas baixas".
O juiz do distrito ordenou a formação imediata de um comitê de alto nível para investigar os médicos e se comprometeu em enviar um relatório com os resultados em dois dias.
Os dalits, historicamente fora do sistema de castas, fazem parte do segmento da população indiana mais desfavorecido e sofrem discriminações e maus-tratos nas áreas rurais do país, a despeito da Constituição, que proíbe a prática.
Com mais de 160 milhões "dalits", muitos dos membros da comunidade trabalham em tarefas consideradas "impuras", como limpar vasos sanitários e recolher lixo, e sofrem o desprezo do resto da população indiana.
 




























O jornalista Marc Bouet nos oferece uma noção mais abrangente das consequências do sistema de castas. Ele realizou a experiência de passar um dia como um Dalit na Índia e registrou sua experiência no livro "Na pele de um Dalit".

Você pode ler o livro clicando aqui ou na imagem abaixo





A ÍNDIA MODERNA ALÉM DAS CASTAS

Todavia a Índia moderna é uma sociedade plural, que apresenta outras comunidades religiosas. Segundo o censo nacional de 2001 a população indiana é de 1,028 bilhão de pessoas. Destas 82% eram hindus. A segunda maior comunidade religiosa é de muçulmanos, com mais de 138 milhões de adeptos. Os cristãos são o terceiro grupo, com 24 milhões.

Os dados acima são importantes pois estas comunidades não oferecem aos dalits as mesmas restrições que as demais castas do Hinduísmo. A princípio, portanto os dalits podem se organizar em relações de igualdade com estes, e os demais, grupos religiosos.

Além disso, a atual sociedade indiana é das mais dinâmicas do planeta, tendo uma economia moderna - é o pais com a maior quantidade de cientistas do mundo - organizada a partir das relações de classe, que, por sua vez abrem espaço para a competição de todos da força de trabalho em busca de melhores colocações no mercado tendo como critério exclusivo indicadores individuais de desempenho (qualificação).

Tudo isso acaba criando condições para a organização dos dalits, e demais castas baixas, para a alteração da distribuição de oportunidades na Índia moderna.
Este é o tema do filme que assistimo na escola, O filme gerou polêmica na Índia pelo modo como as castas altas foram descritas no enredo (veja traile re debate sobre o filme, já no contexto da polêmica  levantada)







Confira a página do filme no You tube aqui:



Caso queira comentar este texto, por gentileza indique seu nome.
Um abraço.


Aulas do segundo ano


ULAS DO SEGUNDO ANO

UNIDADE I - STATUS E PAPEL SOCIAL

SISTEMA SOCIAL

PAPEL SOCIAL E STATUS SOCIAL

STATUS SOCIAL COMO BASE DO SISTEMA SOCIAL

TIPO DE STATUS

PRINCÍPIOS DE STATUS

CONTO DE ALUÍSIO AZEVEDO


.UNIDADE II - ESTRATIFICAÇÃO
Na segunda unidade estamos a estratificação social, ou seja, as formas que as sociedades apresentam em função do modo como são construídas as desigualdades sociais.
Abordaremos o tema em dois ângulos, observaremos de modo descritivo e de modo interpretativo, ou seja as várias formas de estratificação que estudaremos serão analisadas pelas pirâmides sociais geradas e também pelos princípios que em cada caso organiza a pirâmide.
Os casos que estudaremos são os três grandes modelos de organização social: castas, estamentos e classes.
Clique nos links e bons estudos.


CASTAS: A DESIGUALDADE HEREDITÁRIA

CLASSES E RAÇAS – AVALIAÇÂO MENSAL

A REDENÇÃO DE CÃ

.UNIDADE III - MUDANÇAS SOCIAIS

INTRODUÇÂO AO SIGNIFICADO DAS MUDANÇAS SOCIAIS
CAUSAS DAS MUDANÇAS SOCIAIS
TIPOS E ORIGENS DAS MUDANÇAS SOCIAIS
BARREIRAS E ATITUDES FRENTE AS MUDANÇAS SOCIAIS

Transformações da Paisagem - As Pranchas de Muller

Vídeos sobre o mundo do trabalho

Orientações para as turmas de 2012

Olá a todos e todas.

Vamos usar este blog como apoio para nossas aulas de sociologia. Para acessá-las clique aqui

Ah! Se você também tem um blog, clique aqui

Confiras algumas  D I C A S  de blogs de sociologia que interessantes, veja aqui

Você sabe como interagir no blog? Veja aqui como você pode participar

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Orientações para turmas de 2012

Não importa a dificuldade, leia um livro!.
Olá a todos e todas.

Vamos usar este blog como apoio para nossas aulas de sociologia. Para acessá-las clique aqui

Ah! Se você também tem um blog, clique aqui

Confiras algumas  D I C A S  de blogs de sociologia que interessantes, veja aqui

Você sabe como interagir no blog? Veja aqui como você pode participar
Fale comigo depois, agora estou lendo 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Durkheim – uma teoria da integração social

Além da teoria do fato social com a qual a sociologia alcança um status científico próprio, Emile Durkheim ajudou a compreender o funcionamento da sociedade capitalista a partir do estudo sobre a divisão do trabalho social.

Segundo Durkheim a integração da sociedade acontece através de diferentes mecanismos de solidariedade social que mudariam conforme a intensidade da divisão do trabalho social.

A divisão do trabalho social seria então a chave para a compreensão do tipo de sociedade. Haveria uma relação inversa entre a intensidade da divisão do trabalho e a coesão social, ou seja quanto maior a divisão do trabalho mais fluida a coesão social, e, inversamente, quanto menor a divisão do trabalho maior e mais intensa a coesão social.

Dizer que a sociedade é mais ou menos coesa é retomar a teoria do fato social e perceber se ele é capaz de impor o poder coercitivo de modo mais ou menos intenso.

 

Divisão do Trabalho

Qualquer sociedade humana deve aplicar algua modalidade de divisão do trabalho. Os modos mais simples de divisão do trabalho são aqueles que se baseiam em características biológicas, comoa divisão sexual do trabalho. Neste tipo de divisão os homens assumem determinadas tarefas como a caça, pesca e defesa do grupo contra invasões de outros grupos e as mulheres realizam atividades como o cuidado com as crianças e a vida doméstica.

Entretanto, a divisão do trabalho pode alcançar níveis mais intensos como o que conhecemos em nosso tipo de sociedade, que funciona com uma economia de mercado. Neste caso os indivíduos se restringem a um reduzido número de atividades dependendo em tudo o mais dos demais indivíduos, com o agravante de que o capitalismo também proporciona um aumento da necessidade, pois tudo pode se transformar em mercadoria (veja aula sobre economia de mercado)

 

Solidariedade mecânica.

Nas sociedade onde a divisão do trabalho é menos desenvolvida as pessoas se integram em grupos baseados na similitude, ou seja pela semelhança. Exemplos dede sociedades assim podem indicados nas sociedades tribis, indígenas ou não.

Nestes grupos as regras, os fatos sociais se impõem ao individuo com bastante força e não há espaço para grande variedade social.

Este tipo de sociedade é abastante coesa e,  no limite, nas condições de divisão do trabalho mais limitado, o indivíduo é limitado em sua liberdade de um modo em que, do nosso ponto de vista, só pode ser reconhecido como tirânico.

 

Solidariedade Orgânica

O processo de intensificação da divisão do trabalho social  similitude ou semelhança deixa de ser o critério para  integração da sociedade e então iniciamos um novo tipo de sociedade, baseada nma solidariedade orgânica.

Já indicamos o fundamento desta nova sociedade quando lembramos, acima, que nosso tipo de sociedade funciona com uma economia de mercado. Nestas condições cada indivíduo se especializa em poucas ou mesmo em uma única atividade e tem suas necessidades de outras atividades atendidas por outras pessoas. Esta situação cria uma condição objetiva de dependência entre todos. Esta situação é, portanto orgânica, intrínseca ao funcionamento da economia de mercado, que é um estágio adiantado da divisão do trabalho.

Neste tipo de sociedade a solidariedade social orgânica se constrói a partir da interdependência que funciona através da individualização dos indivíduos a partir da especialização funcional (profissional) no contexto da divisão do trabalho social.

Na medida em que é a individualidade, a particularidade que serve de fundamento do cimento social, este tipo de sociedade permite uma liberdade muito mario para o individuo.

Retomando a teoria do fato social podemos dizer que nestas condições a sociedade tem uma capacidade de aplicar o poder de coerção dos fatos sociais sobre os indivíduos que, através dos mecanismos de uma economia de mercado, podem enconrar mecanismos de defesa contra as pressões sociais.

 

Anomia

Durkheim viveu entre 1858 e 1918. Acompanhou portanto os desafios típicos das cidades que se modernizavam no século XIX. Conforme vimos no filme “Daens - um grito de justiça” este era um cenário de muitos problemas sociais. O trabalho de Durkheim sobre a solidariedade social também faz considerações sobre esta questão.

Segundo ele as sociedades podem experimentar períodos de crise, de anomia social. É um perido temporário no qual a sociedade experimenta transformações intensas e rápidas. Isto trás uma consequência para a integração moral da sociedade (os fatos sociais).

Nestas condições a sociedade pode não ser capaz de consolidar os critérios morais (os fatos sociais) adequados para a nova situação. Ao mesmo tempo os fatos sociais típicos do período anterio não servem para a nova realidade.

Esta situação provoca um desgaste na integração da sociedade. Para o indivíduo significa uma experiênca de desorientação moral.

O avanço da sociedade brasileira sobre os territórios indígenas, especialmente a partir dos anos 60, com a construção de Brasília e as obras de integração rodoviária no norte do país. Este processo significou a destruição material das sociedades indígenas e a partir daí das suas bases morais. Considere, por exemplo, os aspectos religiosos. Em sua sociedade o índio conhecia uma série de deuses (ou espíritos) com os quais sabia lidar e aos quais atribuía um valor positivo. Todavia, agora,vivendo com a sociedade brasileira, com os brancos, sua crenças religiosas são apreciadas de modo negativo.

Esta e outras questões indicam o estado de anomia social que se abateu sobreos indígenas e que se expressava de modo mais trágico através de elevadas taxas de suicídio.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os três porquinhos: Durkheim




Vimos que Augusto Comte criou a palavra “sociologia”. Em sala vimos também que em função disso se dizia que Comte era o fundador da sociologia. As coisas não são exatamente assim. Embora tenha sua importância na história da disciplina, muito mais por conta da doutrina positivista do que em função de criar o nome da disciplina, Comte não é o responsável pelo início da sociologia moderna.





Primeira questão: o que é e o que não é a sociologia

A origem da moderna sociologia é atribuída a outro francês: Emile Durkheim. Para entender porque Durkheim recebeu esta honraria devemos nos perguntar qual a definição mais comum de sociologia? A resposta mais comum indica que se trata da ciência que estuda a sociedade.

Esta é uma resposta correta, porém não é uma resposta exata. Quer dizer, embora a sociologia efetivamente estude a sociedade ela não estuda exatamente a sociedade. Vejamos o que isto quer dizer.

Eu fico doente em sociedade, e também executo uma série de atividades econômicas em sociedade. Diante da definição mais comum de sociologia deveríamos aceitar que ela  também estudaria os processos de enfermidade e as atividades econômicas.

Todavia existem outras ciências que tratam com mais propriedade destes fenômenos. Então , como vamos separar o que é a sociologia do que é a economia ou a medicina (ou o direito, etc.)? Este é o grande legado de Durkheim. Sua obra ele definiu o que seria o objeto de estudo específico da sociologia.

Emile Durkheim (1858-1918)

Admite-se que a sociedade envolve um conjunto de fenômenos sociais. Porém a sociologia desenvolveria sua competência estudando apenas uma pequena quantidade destes fenômenos que seriam chamados de fatos sociais.

Os fatos sociais seriam um conjunto de fenômenos sociais identificados e separados dos demais porque apresentariam algumas características especiais.


Características dos fatos sociais

São três os elementos que definem se um fenômeno social é um fato social.

Em primeiro lugar o sociólogo deve buscar observar se se trata de um fenômeno geral. Um fato social tem como sua primeira característica o fato de que é praticado pela totalidade ou pela maioria dos indivíduos de um grupo.

Além de ser geral é necessário observar de onde surge aquele fenômeno, ou seja, se é um comportamento que indica uma escolha individual ou se é um fenômeno cujas origens e razão de existir se devem a sociedade. Isto por que, para Durkheim, os fatos sociais se distinguem também pelo fato de que são anteriores a existência do indivíduo. Sendo anterior ele também será exterior ao indivíduo. Isto quer dizer que a marca do fato social é sua origem coletiva, social.

Finalmente, os fatos sociais exercem um poder de coerção sobre o indivíduo. Os fatos sociais devem ser vistos como regras. Quando o indivíduo se afasta destas regras ele recebe uma pressão coletiva para que volte a se ajustar ao comportamento socialmente aprovado. Esta pressão é uma evidência do poder de coerção (de pressão) que a sociedade exerce sobre os indivíduos para que se submetam a regra geral.



Exemplo

O nosso vestuário pode ser usado para considerarmos como opera o fato social. Nos vestimos segundo padrões ou regras que são sociais, são fatos sociais.

Em primeiro lugar podemos reconhecer que a maioria das pessoas se veste segundo um padrão ou segundo um conjunto de padrões, de regras. Existem regras que determinam um padrão masculino e um padrão feminino, por exemplo.

Considere na imagem abaixo como a multidão que comparece a Rua Grande, em São Luís, revela claramente a adesão das pessoas a esta regra.

I

Além disso, o padrão de vestuário que adotamos em nossa sociedade não é obra de nenhum de nós individualmente. A escolha sobre o que é adequado vestir é determina pela sociedade, ainda que tenhamos alguma variedade. Ou seja, o vestuário apresenta a segunda característica do fato social, ele existe antes do indivíduo e é externo ao indivíduo. Esta é a razão por exemplo, de não nos vestirmos como o He man.


O fato social, porém é uma regra especial, trata-se sempre de um fenômenos moral. Considere por exemplo o tipo de reação que aquele rapaz acima, vestido de He man, iria despertar caso ele estudasse em sua escola e quisesse assistir aula usando aquela vestimenta.

Provavelmente iria despertar uma série de olhares atravessados e principalmente iria ser alvo de muitas risadas. Do ponto de vista da teoria dos fatos sociais estas reações são uma manifestação da sociedade diante de uma regra (um fato social) sendo quebrada. Devem ser entendidos como uma ação coercitiva (punitiva) da sociedade, uma coerção moral.

O ridículo é um recado indicando que o individuo rebelde assumiu uma atitude tão diferente das nossas regras (o fato social) que desperta uma reprovação moral na forma de risadas e olhares atravessados.

Não é demais repetir que o fato social é sempre moral, assim como a coerção que mobiliza quando é desobedecido. Mesmo quando se pune com violência, como no caso de alguém que é linchado porque cometeu um roubou ou um assassinato, ainda assim esta violência é principalmente moral.

Agora, para ter uma idéia de como funciona este poder de coerção do fato social vamos considera o seguinte.




Imagine que você em sua família uma senhora de certa idade, uns sessenta anos por exemplo. Considere que esta senhora de sua família vai sair para o supermercado ou para a feira comprar alguma coisa. para chegar ao ponto, imagine que ela vai sair para a rua usando a mesma roupa que a senhora abaixo está usando.



Sabendo que há um padrão social (um fato social) que determina as regras de vestimenta também segundo as idades e que a senhora acima está fuginda a este padrão, podemos esperar determinadas reações a atitude da senhora.

Entretanto considere a sua reação. O que você faria?




Provávelmente você iria se sentir atingido pela atitude desta senhora de sua família. Mas você iria se sentir atingido de uma maneira diferente das demais pessoas que estarão na feira ou no supermercado. Você vai se sentir, provavelmente, envergonhado – pois o fato social é sempre moral.

Talvez você venha mesmo a agir fisicamente para impedir a destemida senhora.

Este seu comportamento, mas principalmente a sensação de vergonha que você experimenta, são reflexo do poder de coerção dos fatos sociais.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Economia de Mercado.



Mercado é uma instituição social que realiza a coordenação das trocas entre os indivíduos. O mercado reúne, de um lado, nossas habilidades e, de outro, nossas necessidades.

Funciona assim: cada um de nós possui certas capacidades. Somos eletricistas, advogados, vendedores, pintores, médicos, etc. Porém necessitamos de uma grande quantidade de serviços e produtos durante um único dia em nossas vidas.

Perceba a quantidade de coisa que está diante de você enquanto lê este texto. Imagino que tenha mesa, esta mesa deve ter recebido camadas de produtos e serviços como lixa, polimento, pintura. As roupas que está usando reúnem uma série de outros produtos como a fabricação do tecido, o desenho da roupa, a costura, a tintura, etc.

Tanto a reunião dos elementos que resultaram na fabricação da mesa quanto da roupa incluíram também certa quantidade de pessoas que transportaram produtos para fabricar cada um dos instrumentos usados para produzir sua mesa e roupas. E a coisa se repete: as transportadoras usaram outra série de produtos de terceiros.

Este é o princípio do da economia de mercado: cada um de nós oferece uma habilidade ou uma propriedade e em troca atende suas necessidades.

É importante ficar atento para uma conseqüência especial: numa economia de mercado as relações que temos se dão através de mercadorias.

Mercadorias são as coisas que levamos ao mercado sejam elas habilidades (de pintar ou cantar, por exemplo) ou propriedades (como os itens de uma loja, por exemplo) e também aquilo que corresponde as nossas necessidades e que será oferecido pelos outros.

Numa economia de mercado o dinheiro também é uma mercadoria, a mais especial de todas. Antes da invenção do dinheiro as pessoas precisavam encontrar exatamente um companheiro de trocas que ao mesmo tempo quisesse o que elas ofereciam e possuir precisamente o produto ou habilidade que interessava. A existência do dinheiro torna cada um de nós um mediador para os demais.



Perigos

A existência da economia de mercado faz do capitalismo um sistema de altíssima capacidade de eficiência e expansão. Por outro lado, é exatamente este o maior problema de uma economia de mercado.

Já vimos que a propriedade privada, na medida em que cria o lucro (e também o salário), oferece um grande estimulo ao capitalista para que ele inove continuamente a produção de riqueza da sociedade e partir daí dê início a transformações em todas as dimensões da sociedade.

Este estímulo faz com que na economia de mercado tudo, absolutamente tudo, possa se converter numa mercadoria. Vejamos um exemplo. Imaginemos que você seja queira dizer a uma pessoa que você a ama. Infelizmente, porém, você entende que não é capaz de dizer o tanto que você ama. Talvez porque você é uma pessoa tímida. Talvez porque você ama demais e simplesmente não consegue dar a dimensão de tanto amor.

Numa sociedade capitalista isto não é um problema, ao menos a princípio (já, já vamos dizer porque). Em nossa sociedade há empresários que perceberam que podem alcançar aquele lucro que está no coração do capitalismo atendendo exatamente esta necessidade, que você tem (hipoteticamente falando).

Deste modo se você quer dizer a uma pessoa que a ama e acha que não consegue, não se preocupe, o mercado transforma isto numa mercadoria que você pode comprar, seja com uma telemensagem, seja com um telegrama ao vivo.


 








A questão, porém, é que esta capacidade da economia de mercado em transformar tudo em mercadoria transforma a nós mesmos, os seres humanos, em mercadorias.

Considere o exemplo da malharia que propomos quando falamos da propriedade privada. Na ocasião consideramos uma empresa que tinha um proprietário e dez trabalhadores.

O proprietário atende suas necessidades via mercado oferecendo um produto, malhas. Os trabalhadores, entretanto, só têm a oferecer ao mercado a sua força de trabalho. Por isso se diz que existe um mercado de trabalho no qual se compra e vende força de trabalho, capacidade de trabalho, habilidades profissionais.

Raciocinando com nossa malharia hipotética podemos considerar que dos 10 trabalhadores empregados um deles seja designe e outro dos dez seja um zelador. Você pode imaginar que estes dois trabalhadores oferecem habilidades diferentes e por isso eles são mercadorias diferentes. Isto quer dizer que eles, suas habilidades, tem valores diferentes, são premiados com salários diferentes, e muito provavelmente esta diferença será bastante considerável.

Em conseqüência disso estes dois trabalhadores terão capacidades também diferentes de atender suas necessidades quando se apresentarem no mercado como compradores. Ou seja, há uma grande probabilidade de estes dois trabalhadores não se reencontrarem fora do trabalho. É razoável imaginar que eles morem em bairros diferentes, que usem hospitais diferentes, que seus filhos estudem em escolas diferentes, que usem roupas diferentes, etc.

Num mundo em que tudo pode se transformar em mercadoria isto é claramente um problema.

Você pode explicar o por quê?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Propriedade Privada

Qualquer que seja a nossa posição política, ou seja, se somos de Direita ou de Esquerda, o que quer dizer: se gostamos ou não do capitalismo; se quisermos definir o que seja este sistema social vamos indicar que ele necessariamente inclui dois elementos fundamentais: a existência da propriedade privada e de uma economia de mercado.

 

Propriedade privada

Quando falamos de propriedade privada estaremos nos referindo á propriedade privada dos meios de produção.

Toda sociedade precisa em primeiro lugar garantir sua existência material. Por isso, o domínio sobre os meios pelos quais se produz as bases materiais da sociedade, sua riqueza, são importante e conferem grande poder.

Uma das principais características do capitalismo é que os instrumentos, os meios, que permitem a existência material da sociedade é apropriado por indivíduos, e por isso se diz que é uma propriedade privada – Outros sistemas sociais podem apresentar uma propriedade coletiva.

Estes indivíduos que tem a propriedade dos meios de produção participam de uma classe social específica, a classe dos capitalistas, a burguesia. A existência da propriedade privada é que dá origem ao poder da burguesia.

 

Exemplo

Como dissemos, no capitalismo a existência material da sociedade é organizada a partir da propiedade privada dos meios de produção. A existência da propriedade privada terá grandes consequências quanto a riqueza produzida. Vejamos um exemplo.

Num sistema capitalista é muito provável que as coisas que você precisa, como o seu uniforme da escola, é produzido por uma empresa que um indivíduo, um empresário, ou um grupo, organizou sabendo que em nossa sociedade há pessoas que precisam de uniformes escolares.

Vamos considerar mais de perto esta empresa de malharia que produz nossos uniformes. Imaginemos que esta empresa possui dez trabalhadores e que tenha apenas um proprietário.

Digamos então que esta malharia tem um faturamento mensal de R$50.000,00.

A principal consequência da propriedade privada diz respeito ao que acontece com este valor criado na empresa. Ou seja, a propriedade privada cria canais de distribuição da riqueza gerada pela sociedade.

Imaginemos  que a riqueza mensal gerada por nossa empresa siga os destinos abaixo:

Riqueza Gerada:

R$50.000,00
Gastos Em Geral (impostos, energia, investimetos, manutenção, etc.) R$30.000,00
Salários dos 10 trabalhadores: R$7.000,00
Lucro: R$13.000,00

Observando a tabela acima podemos considerar o seguinte: os gastos de nossa malharia serão parte da riqueza gerada por outras empresas. Deste modo, para vermos o efeito da propriedade privada para a sociedade como um todo, podemos desconsiderar a linha “gastos em geral” na tabela acima e seguir raciocinando apenas com as linhas “Salário” e “Lucro”.

A propriedade privada, então, é a origem do lucro e do salário. Quando estudamos sobre a modernidade já havíamos indicado a existência de um conflito social típico da modernidade: o conflito entre capital (que é o lucro) e trabalho (que é o salário).

Este conflito entre capital e trabalho (lucro x salário) diz respeito ao modo como será realizada a distribuição da riqueza gerada, ou seja, cada lado da questão deseja aumentar a sua parte e só conseguirá isto diminuindo a parte do outro.

Como o capitalismo é um sistema organizado pela burguesia, os trabalhadores tem menos força para aumentar a sua parte.

 

O lucro

Assim como o salário, o lucro é uma consequênca da propriedade privada. Por outro lado o lucro produz algumas consequências para a organização da sociedade.

O lucro é a motivação do empresário capitalista. A nossa malharia hipotética só existe porque o nosso empresário hipotético identificou que havia uma oportunidade de alcançar um lucro com aquele negócio, do contrário ele jamais arriscaria os recursos dele no negócio.

É em busca do lucro que este empresário irá introduzir inovações tecnológicas que vão melhorar a qualidade e diminuir o preço das malhas.

Ou seja, o lucro é o estímulo que leva os capitalistas a liderarem um processo de modificações que começa na produção e que se espalha para toda a sociedade.

Isto pode ser observado comparando a enorme quantidade de transformações sociais que aconteceram nas últimas décadas a partir de inovações que se generalizam a partir das empresas.

Direita e Esquerda

O tema do capitalismo deve ser estudo sabendo que se trata de um tema que envolve as mais vivas paixões políticas. Era assim antes e ainda é assim hoje!! Para termos uma idéia disto precisamos levar em contra de como são classificadas as idéias políticas.

Desde a Revolução Francesa se usa as palavras “Direita” e “Esquerda” para se referir as posições políticas. Este hábito se deve ao mais absoluto acaso.

A Revolução Francesa é a passagem definitiva da sociedade feudal para o capitalismo. Suas origens se devem a uma grave crise social. Para resolvê-la o Rei convocou os Estados Gerais, um instrumento para a tomada de decisões políticas envolvendo os estamentos feudais (ou Estados): a nobreza (Primeiro Estado), o clero (Segundo Estado) e os demais (Terceiro Estado).

A idéia do Rei era resolver os problemas com um aumento de impostos. Esta solução tinha conseqüências claramente impopulares. Isto porque os dois primeiros Estados eram isentos de impostos. Logo, o peso cairia exlclusivamente sobre o Terceiro Estado.

Posta a questão, surgiu um problema: como seriam contados os votos? Se fosse um voto por estamentos a proposta seria aprovada por dois a um, pois o primeiro e o segundo estado votariam juntos. O Terceiro Estado queria contar os votos por indivíduos, o que garantiria a recusa da proposta.

O clima de agitação tomou conta de Paris e de toda a França. Revoltas impuseram ao Rei a convocação de uma Assembléia Nacional, reprensentando o povo da França e não mais os estamentos medievais.

Na reunião dos delegados da Assembléia, os partidários das transformações da sociedade, com a abolição dos privilégios feudais se sentaram a esquerda é os defensores do status quo, da ordem vigente, ficaram a direita.

Foi assim que estas palavras foram adotadas para identificar as posturas políticas no mundo ocidental, chamando de esquerda indivíduos que desejam transformações imediatas da sociedade e de direita os indivíduos que entendem as mudanças devem ser lentas e que a ordem vigente deve ser preservada e evoluir naturalmente, sem revoluções.

 

Versão Clássica

Ao longo do século XIX, com a vitória da burguesia, a oposição entre Direita e Esquerda ganha uma marcação de origem européia e que se tornou uma versão clássica.

Nesta versão a Direita política inclui os defensores da sociedade capitalista. Os defensores do socialismo ocupam o espaço da Esquerda politica.

Esta diferença entre Capitalismo e Socialismo como marcos da divisão entre Direita e Esquerda é na verdade resultado de um entendimeto sobre o que é a Democracia.

Pensados em si mesmo, Capitalismo e Socialismo representam sistemas de organização da sociedade que divergem fundamentalmente sobre como instituir a distribuição da riqueza.

A partir deste critério a Direita sustenta que o valor fundamental, que define a democracia, diz respeito a garantia da liberdade sobre os demais aspectos. A Esquerda, por seu lado, ensina que não pode ser defino como democrática uma sociedade que não garante a igualdade real e efetiva dos seus membros.

Reconhecer este dilema serve mais nos ensinar que tanto a Direita como a Esquerda oferem argumentos razoáveis a partir dos quais é legítimo defender uma posição ou outra.

 

 

Versão Americanizada

Recentemente a oposição entre Direita e Esquerda vem se modificando, embora não tenha sido abolido o critério clássico descrito acima.

Nos últimos anos, desde a queda do muro de Berlim, em 1989, o mundo todo se acomodou sob o sistema capitalista. Atualmente Cuba, Laos, Coréia do Norte poderiam ser definidos como sistemas sem traços de capitalismo. A China, embora tenha um regime que se define comunista, na prática, entretanto, é uma combinação de economia de mercado e de ditadura.

A falta de uma alternativa concreta ao capitalismo representou certa amenização da versão clássica de separação entre Direita e Esquerda. Em seu lugar, em vários lugares do mundo tem se repetido um tipo de disputa política a partir do padrão típicamente americano, o país do capitalismo, onde nunca hourve grupos socialistas fortes.

Embora também apresentem diferenças sobre como encaminhar políticas sociais e econômicas, nos Estados Unidos a Direita (representado pelo Partido Republicano) e a Esquerda (Partido Democrata) se dividem principalmente sobre questões relacionadas as costumes.

O chamado debate sobre os costumes envolve questões como o casamento gay, politica sobre aborto ou bioética.

Em 2010, pela primeira vez o debate sobre os costumes tomou conta de uma eleiçao presidencial com uma discussão sobre a regulamentação do aborto.

Em relação a este tema, e os demais temas que mobilizam o debate sobre os costumes,  os indivíduos e grupos não se dividem como capitalistas e socialistas, como era na versão clássica da oposição Direita/Esquerda. Os debates sobre os costumes classifica as posições políticas em Conservadores e Progressistas.

Conservadores são os indivíduos que entendem ser necessária a defesa de um conjuntode valores básicos, entre os quais a defesa da vida, no caso do tema do aborto.

Progressistas, por sua vez, entendem que os costumes se alteram ao longo da história e que alguns dos costumes restringem a liberdade e o direito de certos grupos e que, por isso mesmo, podem e devem ser modificados.

A história da sociologia no início do capitalismo moderno


Capitalismo e sociologia

O mundo moderno é o mundo criado pelo capitalismo. O nascimento do mundo moderno, que vimos na segunda unidade, através do desenvolvimento e também da mistura de urbanização e de industrialização e mais individualização e secularização foi uma condição para o surgimento da sociologia.
A idéia de uma ciência para estudar a sociedade já existia, mas ela só se estabelece na prática com a sociedade moderna. Mais até que isto: a sociologia nasce como um instrumento para lidar com o mundo moderno.
Para reconhecer isto basta lembrarmos qual a definição mais comum do que seria a sociologia: seria o estudo da sociedade. Neste caso isto quer dizer que seria a ciência que ajudaria a entendermos como funciona a sociedade.
Conforme vimos no filme Daens – um Grito de Justiça, no século XIX o mundo moderno se estabelecia. Porém isso acontecia de um modo assustador, através dos chamados problemas sociais, mesmo nas nações mais ricas.

Cartaz do Filme “Daens – um grito de justiça”

A sociologia ajudaria a compreender porque a sociedade passava por este momento. Na verdade esta ciência da sociedade faria mais que isto, ela seria semelhante a instrumento de conserto, que ajudaria a resolver os problemas sociais: iria esclarecer como funciona a sociedade e indicaria o que deveria ser feito para que as coisas funcionassem corretamente.
Hoje em dia ainda alimentamos esta mesma crença na ciência, na sua capacidade de resolver nossos problemas. A sociologia, porém, já não se pensa e nem é reconhecida da mesma forma.
Esta crença na ciência que está na história da sociologia tem um representante especial em um francês chamado Augusto Comte.

Augusto comte (1798 – 1857)

Comte criou a teoria que é a principal corrente de pensamento que entende a ciência como um instrumento capaz de mudar nosso mundo. Esta teoria, ou doutrina, foi o positivismo.
O positivismo foi uma doutrina filosófica que dizia que seríamos capazes de criar um conhecimento verdadeiro, independente de nossas características individuais. Existem implicações desta maneira de conceber a ciência, mas não trataremos delas aqui. Apenas deixamos registrado que esta idéia, de que é possível um conhecimento verdadeiro (positivo, como se dizia na época), é fundamental para que se possa esperar que uma ciência da sociedade possa responder aos problemas sociais que nasciam com a sociedade moderna.
Além de ser o principal representante deste espírito da época que esperava da ciência uma resposta para os problemas do mundo moderno, Comte também é lembrado na história da sociologia por outro motivo, foi ele quem criou a palavra sociologia.


O positivismo no Brasil.
A doutrina positivista que participa do nascimento da sociologia teve uma grande importância política, especialmente na América Latina. No caso do Brasil, os grandes eventos políticos da segunda metade do século XIX, o movimento abolicionista e o movimento republicano, eram liderados por positivistas.
Os positivistas fizeram outros tipos de intervenções na história do Brasil. Por exemplo, o engenheiro Raimundo Teixeira Mendes, um maranhense da cidade de Caxias e sobrinho do poeta Gonçalves Dias, um positivista, foi quem apresentou ao recém estabelecido governo republicano um projeto que alterava a bandeira brasileira.
A bandeira criada por Teixeira Mendes trás a marca do positivismo com uma adaptação do lema política de Augusto Comte que era: “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”.
Nossa bandeira ficou com o já conhecido “Ordem e Progresso”, mas sem o amor...


Busto de Teixeira Mendes (1855 – 1927)
Mais informações na Wikipédia

Outra herança dos positivistas na forma como entendemos nossa história diz respeito ao grande mártir brasileiro, o Tiradentes.
Em dado momento Comte resolve que o positivismo deve também se converter numa religião. Nesta fase ele faz uma adaptação de um instrumento bastante comum entre os católicos que é o de guardar a memória de certos indivíduos cuja devoção a Deus e também cujas demonstração de fé são relevantes e significativas para a Igreja, estes indivíduos são os santos.
Comte pretende fazer algo semelhante a canonização dos santos. Sua idéia é que a Igreja do Apostolado Positivista possa promover a memória dos grandes nomes da humanidade, de indivíduos que contribuíram para o bem comum ao longo da história.
No caso do Brasil, com o movimento republicano, este hábito positivista vai recriar a imagem de Tiradentes. Até então Joaquim José da Silva Xavier era um ilustre desconhecido e por motivos razoáveis.
O crime que o condena, no ano de 1792, é o crime de lesa-majestade. Este é o nome dado ao crime que se comete contra a pessoa do Rei/Rainha, que no caso era a Rainha de Portugal D Maria I. Esta Rainha foi a mãe e D. João VI e assim avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II. Sabendo que são os descendentes de D Maria quem lideram a independência do Brasil compreende-se por que Tiradentes não é lembrado pela história do Brasil durante todo o Império.
Foram os positivistas que “ressuscitaram” Tiradentes. Em sua versão positivista ele é apresentado com um cidadão exemplar cuja coragem de lutar contra os opressores e seu  destemor em morrer pela liberdade é destacada.
Estes atributos podem ser reconhecidos inclusive nas imagens que temos dele.  Abaixo vemos duas imagens famosas de Tiradentes.

Martírio de Tiradentes, óleo sobre tela de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1854 — 1916).
Fonte: wikipédia

Óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911)
retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes.
Fonte: Wikipédia


Percebe ambas as imagens apresentam Tiradentes associando-o a grandes nomes da cultura ocidental. No primeiro quadro ele se parece com Jesus. No segundo fica retratado numa cena que lembra as descrições do julgamento do filósofo grego Sócrates.

sábado, 18 de junho de 2011

Pobreza e cidadania no maranhao

A história recento do Maranhão é marcada pela vexatória situação de ver a cada ano a repetição de um quadro triste. Trata-se do continuado destaque que o Estado recebe quando o assunto são indicadores sociais negativos.

Apenas para exemplificar, já com os dados do censo de 2010, ficamos sabendo que a cada 100 crianças ascidas no Nordeste brasileiro 10 são maranhenses e ao mesmo tempo, quando olhamos um indicador negativo associado a este número o Maranhão ganha destaque. É que a cada grupo de 100 crianças deste mesmo nordeste que morre com menos de 1 ano de idade o número de maranhenses aumenta em relação ao que deveria ser, ois são 20 bebês maranhense que morrem com menos de um ano em cada grupo de 100 destes casos ocorridos no Nordeste.

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Existe uma sociedade weberiana?

texto retirado do site da Revista Cult: http://revistacult.uol.com.br/home/2011/01/existe-uma-sociedade-weberiana/

 

Independentemente da resposta, a influência de Weber ultrapassou seus próprios cálculos

Publicado em 12 de janeiro de 2011

Michel Misse
Ilustração: André toma

Embora seja usual falar-se de uma sociologia “weberiana” e de sociólogos “weberianos”, ou de uma escola “weberiana”, não podemos aceitar rigorosamente essas classificações, a não ser quando se pretende demarcar uma tendência dominante, em certos autores e obras, da influência de conceitos e perspectivas desenvolvidos nos diferentes trabalhos de Max Weber. Mesmo assim, não há nada, nesse caso, comparável, por exemplo, seja à apropriação e desenvolvimento das teorias de Marx no marxismo, seja à apropriação e desenvolvimento das teorias de Freud na psicanálise. Não há nada na obra de Weber que permita desenvolvimento similar ao do marxismo e ao da psicanálise, e isso por duas razões.

Em primeiro lugar, Weber não propõe uma revolução científica ou um deslocamento teórico fundamental, um novo paradigma científico, e nem foram esses os efeitos epistemológicos de sua obra, como, ao contrário, parece acontecer com as obras de Marx e de Freud (tal, pelo menos, como reivindicam marxistas e psicanalistas). O próprio Weber condenava, no marxismo e na psicanálise, sua unilateralidade radical, que os lançava, em seu entender, na metafísica e na disputa de pressupostos últimos aos quais a ciência não poderia responder.

Em segundo lugar, Weber reivindica a tradição acadêmica e científica da pesquisa histórico-social de seu tempo, mesmo quando de sua contribuição original para essa ciência, a sociologia, que também se desenvolve, independentemente de sua obra, e com base em outros paradigmas, em outros lugares. Ainda que proponha métodos e conceitos suficientemente abrangentes e rigorosos para entronizá-lo como fundador de uma escola, sua obra não produziu influência dessa maneira, mas de outra, mais difusa, e também mais coerente com o sentido que a distinguia das demais.

Weber não formou uma escola, como aconteceu com Marx e Freud, e mesmo com Durkheim. Não teve discípulos diretos, com os quais precisasse retificar constantemente o desenvolvimento de seu próprio paradigma. No entanto, é indubitável que no desenvolvimento da sociologia, tal como vem se realizando desde o início do século, a contribuição weberiana é decisiva, fundamental mesmo, por demarcar um de seus principais paradigmas. Curiosamente, embora Durkheim tenha uma posição análoga à de Weber por ter também contribuído com outro paradigma fundamental, e ao mesmo tempo divergente do dele, não é usual falar atualmente de sociólogos “durkheimianos” ou de uma sociologia “durkheimiana”, e isso quando se sabe que a influência de Durkheim foi mais sistemática que a de Weber, a ponto de ter existido uma “escola durkheimiana” na França, o que nunca ocorreu com Weber, nem mesmo na Alemanha.

A influência da obra de Weber, embora crescente ainda quando ele estava vivo, não era do tipo que possibilitasse uma escola. Mesmo essa influência foi drasticamente interrompida, na Alemanha, 12 anos após sua morte, pela chegada dos nazistas ao poder. Suas principais obras, com exceção de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, permaneceram esgotadas e sem reedições durante quase 20 anos, e em grande parte espalhadas em revistas e periódicos de pouco acesso ao público não germânico. Apesar disso, sua influência foi decisiva em obras que foram publicadas antes da Segunda Guerra, algumas das quais vieram conformar grande parte do quadro atual da sociologia. Entre essas obras, basta citar Ideologia e Utopia, de Karl Mannheim; História e Consciência de Classe, de Georg Lukács; Estrutura da Ação Social, de Talcott Parsons; e Fenomenologia do Mundo Social, de Alfred Schutz.

O weberianismo como contrassenso
Desde aqui já se pode notar a abrangência e o tipo de influência que a obra de Weber começará a exercer. Nenhum desses trabalhos é “weberiano” e, no entanto, todos estão numa relação fundamental com a obra de Weber; em todos eles, também, a posição weberiana é posta em situação de interlocução, de diálogo com outros pensadores-chave; Lukács e Mannheim, de modo diferente e pesos desiguais, põem Weber em relação com Marx, e daí destilam suas contribuições originais; Parsons põe Weber em relação com Durkheim e Pareto; Shutz coloca Weber em relação com Husserl.

Para cada uma dessas posições, enfatiza-se um aspecto da obra de Weber. Pode-se dizer que são Webers diferentes os que saem dessas posições: um Weber subsumido no marxismo hegeliano de Lukács; um Weber que retifica e modera Marx, na sociologia do conhecimento de Mannheim; um Weber fenomenológico, intuicionista, neoidealista, na “síntese” de Shutz. No campo substantivo da influência, a abrangência e a variedade não são menores. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo é o rosto mais badalado da influência, mas não é nem a principal nem a mais duradoura, apesar de ter produzido um dos grandes veios polêmicos do século. Weber trabalhou sobre campos extraordinariamente diversos e sua influência acompanha essa diversidade, que vai do direito à sociologia da música, da história econômica à sociologia das religiões, da filosofia da ciência à política alemã. Conceitos como “tipo ideal”, “ação social”, “compreensão”, “autoridade”, “dominação”, “carisma”, “vocação”, “racionalidade”, “burocracia”, “estamentos”, “legitimidade” e muitos outros estão inteiramente orientados, na sociologia contemporânea, pela influência de Weber.

O peso das interpretações pioneiras de Weber, em especial por sua influência sobre toda a sociologia acadêmica mundial, aquela que veio da obra de Talcott Parsons, vem passando por ampla reavaliação crítica há quase cinco décadas. Os resultados dessa reavaliação, que incluiu um renovado interesse dos marxistas por sua obra, têm possibilitado – 90 anos após sua morte – o conhecimento de um Weber muito mais profundo e contemporâneo do que as primeiras interpretações poderiam fazer supor. Não é exagerado afirmar que sua influência, hoje, é comparativamente mais abrangente, mais sistemática e mais rigorosa do que em sua própria época ou em qualquer outra, não obstante manter sua característica de não formar escola. O propalado “weberianismo” é um contrassenso com a própria perspectiva científica de Weber, e o próprio Weber testemunha contra esse equívoco: “Na ciência, sabemos que nossas realizações se tornarão antiquadas em dez, vinte, cinquenta anos. É esse o destino a que está condicionada a ciência: é o sentido mesmo do trabalho científico… Toda realização científica suscita novas ‘perguntas’: pede para ser ‘ultrapassada’ e superada. Quem deseja servir à ciência tem de resignar-se a tal fato”.

A influência de Weber, apesar disso, ultrapassou seus próprios cálculos e merece uma reflexão porque é isso que ainda legitima o emprego de expressões como “weberianismo”. A ciência social carrega a bendita maldição filosófica de sua origem: a política. E como a filosofia e a política, o marxismo e a psicanálise, a sociologia precisa desenvolver-se renovando sempre suas relações teóricas com seus pais-fundadores: a reinterpretação das obras clássicas acompanha e indica esse desenvolvimento, tanto quanto os avanços obtidos nos campos substantivos (empírico e teórico). Não é impossível escrever uma história da sociologia com base na sucessão das reinterpretações de seus clássicos. Essas reinterpretações são tão inesgotáveis quanto sua tendência para avançar para além do que estava originalmente escrito, conferindo-lhe uma nova dimensão, só possível pelo avanço substantivo efetivamente realizado. O que define uma obra como “clássica” é exatamente isto: manter-se contemporânea.

A influência disseminada
Talcott Parsons, cuja obra dominou a sociologia norte-americana por mais de duas décadas (1950-1960) e exerceu – e ainda exerce (embora seja declinante) – influência sobre toda a sociologia acadêmica mundial, travou contato com a obra de Weber ainda nos anos 1930, na Alemanha. Sua tese de doutoramento versava sobre o conceito de capitalismo em Weber e Sombart, o que lhe permitiu preparar o terreno teórico sobre o qual desenvolveria, em 1937, uma original tentativa de síntese sociológica, a primeira elaboração de sua teoria geral da ação. O livro, um grosso calhamaço de mil páginas, intitulado Estrutura da Ação Social, dedicou quase um terço das páginas à interpretação parsoniana de Weber. No entanto, sua apropriação de Weber caracteriza-se pela ênfase posta sobre as normas e valores sociais, em função de sua preocupação em construir as bases de uma teoria da integração social. Se isso lhe permitiu aproximar Weber de Durkheim muito mais facilmente do que é efetivamente possível, facilitou, no entanto, uma apropriação da obra de Weber nos Estados Unidos que, além de incorreta e problemática, enfatizava excessivamente sua utilização conservadora. No entanto, a influência de Weber na sociologia norte-americana, até então pequena, pegou carona no funcionalismo parsoniano e cresceu, até que no fim dos anos 1960 a revisão interpretativa de suas contribuições começasse a ser feita, resgatando-o contra Parsons. Quanto a isso, o pioneiro foi C. Wright Mills, cuja obra reflete uma influência weberiana bastante diferente daquela encontrada em Parsons e sua escola.

Se Parsons procurou aproximar Weber do funcionalismo durkheimiano, Wright Mills fez a aproximação com a tradição marxista, extraindo daí não só uma interpretação, mas um efeito – em suas próprias obras – crítico e politicamente renovador. Mills foi praticamente uma voz isolada numa América conservadora e exposta ao maniqueísmo da Guerra Fria, e uma voz que se calou precocemente (ele morreu aos 47 anos, em 1961). Apesar disso, sua influência na renovação antiparsoniana da sociologia norte-americana dos anos 1970 deveu-se, em grande parte, à extração marxista de sua apropriação de Weber, que lhe permitiu enfatizar, ao contrário de Parsons, os conceitos de classe, de interesse e de conflito. No entanto, ao contrário daquele, Mills jamais tentou uma sistematização conceitual que lhe permitisse construir uma abordagem tão abrangente quanto a parsoniana. Por isso, sua contribuição terminou confinada à sua época.

Lukács, o grande pensador marxista, frequentou assiduamente o Círculo de Heidelberg, que se reuniu na casa de Weber por quase uma década. Nos dois últimos anos da vida de Weber, quando já se tornara marxista, Lukács, ainda sob sua influência, redige alguns dos trabalhos que vão compor seu livro mais célebre. Além de abundantes referências aos trabalhos de Weber, Lukács promove uma inusitada aproximação marxista com a problemática weberiana da “racionalização”, cuja influência posterior não deve ser negligenciada. Mannheim, que foi chamado de “marxista burguês” e de weberiano “marxista” (sic), escreveu suas principais obras entre as décadas de 1920 e 1940. Sua influência, particularmente no campo da sociologia do conhecimento, é decisiva, e tão grande quanto sua pretensão de construir uma ponte entre Weber e Marx que resolvesse algumas das antinomias postas por essa relação. Sua influência sobre Mills permitiu a este se apartar da todo-poderosa interpretação parsoniana de Weber. Do mesmo modo, sua obra permitiu aos funcionalistas manter uma porta aberta ao marxismo (pelo menos nessa área da “sociologia do conhecimento”), como no estudo de Robert K. Merton sobre sociologia da ciência.

No pós-guerra, a influência de Weber alastra-se pela Europa e pela América. Raymond Aron, na França, forja o conceito de “sociedade industrial” e se apoia em Weber para criticar o marxismo. Ralf Dahrendorf, na Alemanha, sob forte influência weberiana, revisa o conceito de classe e, como Aron, substitui capitalismo por “sociedade industrial”, para enfatizar a dimensão mais abrangente (principalmente política) dos conflitos sociais do capitalismo tardio. A sociologia inglesa renova-se com a influência de Weber, principalmente nas obras de John Rex, J. Goldthorpe, David Lockwood, Frank Parkin e Anthony Giddens. Na França, Michel Crozier e Alain Touraine estudam a burocracia e a classe trabalhadora em aberto diálogo com as hipóteses weberianas, e Pierre Bourdieu reinterpreta Weber em seus trabalhos de sociologia da cultura.

Apesar da forte influência de Parsons, a sociologia norte-americana reencontrou Weber de diversas maneiras, desde o pós-guerra até hoje. Obras muito importantes como as de Seymour M. Lipset, Reinhardt Bendix, Robert Bellah, Clifford Geertz, Randall Collins e S. Eisenstadt, entre outros, foram desenvolvidas em constante recuperação e reinterpretação das hipóteses weberianas. Tendências que aparecem na época da Guerra Fria, como a sociologia fenomenológica, a etnometodologia, a sociologia radical, o interacionismo simbólico, retomam Weber exatamente onde Parsons o havia recalcado: no seu “idealismo”, na sua “sociologia compreensiva” e nas minuciosas questões metodológicas.

Em compensação, o “materialismo” de Weber é recuperado pelo marxismo do pós-guerra, que antes lhe havia reservado a indiferença dogmática ou o ataque superficial. Essa indiferença não existiu nos clássicos do marxismo, mas tornou-se dominante no período stalinista. Kautsky, Bukhárin, Rosa Luxemburgo, Gramsci, Lukács e Max Adler citam Weber e quase sempre em apoio às suas próprias ideias. Mas o conhecimento da obra de Weber era ínfimo, se comparado ao que os marxistas contemporâneos passam a ostentar a partir dos anos 1960. A influência de Weber na Escola de Frankfurt é reconhecida e bastante significativa, principalmente na obra de Habermas. A crítica superficial foi abandonada e o rigor com que muitos marxistas reavaliam a obra de Weber não fica nada a dever ao ostentado pelos “weberianos”.

Uma verdadeira história das reinterpretações de Weber e de suas disputas teria, agora, que descer ao campo temático e conceitual. Acompanhar a disputa dos conceitos, a detecção de suas ambiguidades originais, o aparecimento de novos problemas sobre os escombros de problemas que pareciam resolvidos, enfim, teria de ser uma história da constante reatualização de Weber, como a feita brilhantemente por Wolfgang Schluter nas últimas décadas. Aqui entrariam, por exemplo, a penetrante e nem sempre admitida influência de Weber sobre as obras seminais de Norbert Elias e Michel Foucault, apenas para citar dois nomes que continuam em evidência. Naturalmente, isso não pode ser feito aqui. De qualquer modo, será feito por cada sociólogo, em sua área específica de atuação. Isso será inevitável sempre que se descobrir que o sociólogo “weberiano” se dedica a uma coisa “que na realidade jamais chega, e jamais pode chegar, ao fim”.

Michel Misse é professor de sociologia da UFRJ

Perfil biográfico – Max Weber (1864-1920)

Max Weber é conhecido como um dos fundadores da sociologia moderna, ao lado de pensadores como Vilfredo Pareto (1848-1923), Émile Durkheim (1858-1917) e Georg Simmel (1858-1918). Seu pensamento é marcado por uma crítica do materialismo histórico, que, em seu dizer, petrifica as relações entre as formas de produção e de trabalho e as outras manifestações culturais da sociedade. Para ele, o pensador social deve estar disposto a reconhecer a influência que as formas culturais, como a religião, por exemplo, podem exercer sobre a própria estrutura econômica.Karl Emil Maximilian Weber nasceu em Erfurt, em 1864, em uma família protestante.A partir de 1869, instala-se com a família em Berlim. Seu pai foi deputado do Partido Nacional Liberal, e, graças a ele, Weber, desde cedo, teve contato com homens políticos e pensadores influentes que eram frequentemente convidados à sua casa.

O jovem Max, entediando-se na escola e tendo pouco contato com os colegas de sua idade, tornou-se um leitor insaciável. Suas leituras (Cícero, Maquiavel, Kant etc.) testemunham sua grande precocidade intelectual. Terminada sua formação básica, Weber inscreve-se na Faculdade de Direito de Heidelberg, seguindo igualmente cursos de economia política, filosofia, história e teologia.Em 1889, Weber conclui seu doutorado sobre o desenvolvimento das sociedades comerciais nas cidades italianas da Idade Média. Em 1891, termina o trabalho A Importância da História Agrária Romana para o Direito Público e Privado, que o qualifica para ser professor na universidade. Esses anos foram decisivos na formação de Max Weber, porque o fizeram se interessar pelos problemas sociais de sua época.Aos 29 anos, em 1893, assume o cargo de professor de história do direito romano e de direito comercial na Faculdade de Berlim. Casa-se com Marianne Schnittger, ícone da causa feminista e intelectual engajada em questões políticas. Ela terá um papel decisivo na edição da obra de Weber, supervisionando principalmente a publicação dos escritos póstumos de seu marido, em especial de sua obra magna Economia e Sociedade.

De 1897 a 1903, Weber sofre de uma grave depressão nervosa, sendo obrigado a interromper seu magistério. Em 1903, retomando suas atividades intelectuais, reorienta suas pesquisas para a sociologia. É nesse contexto que ele publica A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Em 1909, funda a Sociedade Alemã de Sociologia.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Weber inicia a redação de seu vasto projeto de sociologia comparada das religiões mundiais. Em 1919, muda-se para Munique, a fim de ocupar a cátedra de sociologia que a universidade havia criado especialmente para ele. É nessa ocasião que ele pronuncia duas de suas mais conhecidas conferências: “A Ciência como Vocação” e “A Política como Vocação”.

Weber morreu subitamente em 1920, em consequência de uma pneumonia mal tratada.

Pesquise aqui